2013: Goodbye and good riddance!

Logo após a Queda de Constantinopla em 1453, ninguém declarou em meio aos mortos e feridos um entusiasmado “YAY, ACABOU A IDADE MÉDIA!”, nem acordou no dia seguinte se sentindo um “homem da modernidade”. Como uma historiadora em formação eu entendo que balizas de tempo não são entidades naturais, mas construções feitas a posteriori baseadas em um zilhão de características e eventos. Em outras palavras: o fato de amanhã ser considerado o primeiro dia de 2014 teoricamente não significa nada. As coisas não irão mudar magicamente pelo simples virar da página do calendário.

Mas, putaquepariu, eu vou ficar tão, mas tão feliz em finalmente poder ver 2013 pelas costas.

Eu já tive anos bem ruins, em que verdadeiras tragédias aconteceram. Quando meu irmão morreu e meus pais se separaram em 1994, quando meu pai morreu em 2002, quando eu briguei com uma das minhas melhores amigas em 2009. Tragédias, sim. Mas foi, tipo, uma ou duas coisas extremamente ruins em meio a um restante de meses/semanas relativamente okays.

Porque sim, lidar com um súbito soco no meio dos olhos é péssimo. Você pode até ver o soco a caminho, mas acaba pego meio desprevenido e às vezes você cai no chão, bate as costas contra o concreto, seus pulmões são pressionados contra as suas costelas e você se vê completamente sem ar por alguns instantes. Mas passa. De alguma forma, mesmo que leve alguns meses, passa. Você volta a respirar e você olha para aquele soco, para aquela queda com tristeza, ressentimento ou o que for, mas a dor passou.

Agora, 2013 foi uma sucessão interminável de socos, puxões de cabelo, rasteiras e de chutes enquanto você ainda estava no chão. Em 2013 você sentiu falta de ar vezes de mais, ao ponto de você se perguntar se sequer valia a pena tentar se levantar de novo. Você duvidou de quem você era, do que você fazia, do que você queria para a sua vida. E você fez isso o tempo todo, sem pausas. Você não teve tempo para respirar em meio aos três milhões de semestres, as inexistentes férias ou recessos. Você viu as pessoas rodarem os olhos para você quando você disse que estava com medo, que você achava que algo que você fez não era bom o bastante. Não importa se era ou não, você tinha o direito de ter medo de estar errada e nem isso você teve.

Agora parando com a segunda pessoa, porque todos vocês sabem bem que quem eu estou falando, 2013 foi um ano impossível. Ele está aí, acabando e eu ainda acho que ele não me humilhou ou me deu rasteiras o suficiente. Aconteceram coisas boas sim, que por acaso foram consequências felizes de outras pequenas tragédias. A república de estudantes que eu morava fechou porque o campus mudou de bairro e em meio ao estresse da mudança (porque mudanças para mim são sempre estressantes) a solução veio com a oferta de um grande amigo e eu agora vivo num bairro que nunca imaginei que fosse amar tanto. Mas foi bem isso aí, uma única coisa boa em meio a dois trilhões de pequenas tragédias:

– Apesar de eu amar o lugar em que vivo agora, os valores de aluguel e contas literalmente triplicaram. Ou seja, cinema e outras coisas que aliviam a dor e o estresse agora só uma vez a cada três, quatro meses e olhe lá;

– Minha bolsa de IC foi negada. Duas vezes. O que me fez reconsiderar todas as minhas escolhas da vida e o que eu estava fazendo estudando História porque aparentemente meu tema de pesquisa consegue ser ao mesmo bom demais e sem significância alguma (?!?!?!);

– Houve um incidente terrível envolvendo o cemitério onde meu pai está enterrado que foi quase a gota d’água de 2013. E olha que ainda estávamos em Agosto;

– Nada, nada do que eu escrevo parece bom o bastante e escrever para mim é tão essencial quanto respirar. Se eu não me sinto segura com relação ao que eu escrevo, minha vontade de levantar da cama e encarar o mundo cai em 97,48%;

– Eu não tive férias e eu não terei férias até dezembro de 2014 porque a vida é injusta assim.

Isso só para cobrir os grandes hits. Enfim, meu ponto é: 2013 foi péssimo, já foi tarde e tals. Adeus, não volte e não me escreva.

Ass.: Cel/Amaruk/Dana/YOLO

ps. Mas tenho de admitir que “Círculo de Fogo” e “Em Chamas” foram bons filmes.

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One thought on “2013: Goodbye and good riddance!

  1. Nossa Celzinha, você descreveu exatamente meu 2012 o.o não tinha pensado nessa definição, (que eu adorei) vai ser conhecido como “o ano da sucessão de pequenas tragédias” (quando eu escrever minha biografia que ou só meu cachorro vai “ler” ou meus fãs todos decorarão, quando eu for uma superstar). Não gostaria que ninguém mais tivesse o mesmo ano de cão que tive ano passado, mas infelizmente aconteceu com você =/ eu sinto muito mesmo!

    Não sou a pessoa mais feliz do mundo em ano novo, eu costumo ficar deprimida e odiar esse clima de “mudança” que fica no ar, principalmente porque estou bastante apreensiva quanto a ano que vem, mas quem sabe de todo mal não será. 2013 está longe de entrar para meu top 10+ anos favoritos, porém, talvez não tenha sido tão ruim assim pra mim. Claro que foi o ano em que tomei algumas porradas fortíssimas, só que dessa vez fui esperta para pular quando a rasteira veio. Até porque eu precisei ser, visto que ainda estou respirando com ajuda de aparelhos de tanta porrada que tomei de 2012. /dramaqueenoff

    Não sou a melhor pessoa para desejar feliz ano novo, mas gostaria de todo coração que seu 2014 seja o melhor o possível, bem distante desses dois últimos anos. Que eles se vão para sempre, e nunca mais nos escreva ou telefone. Falta pouco para o martírio unifespiano acabar (embora o inferno só esteja começando agora, ahuhauahuah), então fique firme e forte!

    Eu só acho que a gente tem que começar a ser mais esperta com relação nossas pesquisas. Do tipo, cada vez que alguém nos disser que ela é inútil, a gente cobra. Se eu ganhasse 1 real cada vez que isso viesse (ou 5 reais cada vez que a frase fosse mais polida, como “talvez você devesse ir pelo caminho X porque assim você daria uma contribuição melhor para a História”), só esse ano eu acho que estaria mais rica do que se ganhasse na Megassena da virada. Que tal minha ideia?

    Beijos Celzinha, desejo que 2014 seja menos filho da puta com todos nós!

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